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A tela acalma, mas a bagunça constrói o cérebro.

  • Foto do escritor: Jumper Entretenimento
    Jumper Entretenimento
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Por que brincar com terra e tinta é mais importante para o cérebro do que usar um tablet?


Há algo profundamente bonito em ver uma criança com as mãos sujas de terra ou o corpo todo marcado de tinta. Para muitos adultos, isso pode parecer apenas bagunça.


Para o cérebro infantil, porém, é vida acontecendo, é aprendizado em sua forma mais verdadeira. Em tempos em que tablets e telas ocupam cada vez mais espaço na infância, vale fazer uma pausa e lembrar: criança aprende com o corpo inteiro. Aprende quando toca, quando sente, quando experimenta. Aprende quando pode brincar de verdade.


O aprendizado que

nasce das mãos

Jean Piaget nos ensinou que a criança constrói conhecimento a partir da ação. Ela não aprende apenas ouvindo ou observando — aprende fazendo. Quando uma criança aperta a terra, sente sua textura, mistura água e observa a transformação, algo muito profundo acontece dentro dela. Não é só brincadeira. É o cérebro criando conexões, é o pensamento ganhando forma através do corpo.


Maria Montessori dizia que “a mão é o instrumento da inteligência”. E basta observar uma criança pintando com os dedos para entender isso. Ali há concentração, descoberta, autonomia e orgulho. Nenhuma tela oferece essa experiência tão inteira.


Para Vygotsky, o brincar é o espaço onde a criança se expressa, elabora sentimentos e constrói significados sobre o mundo. Quando ela transforma terra em comida imaginária ou tinta em história, está dizendo algo sobre si, mesmo sem palavras.


Esses momentos ajudam a criança a organizar emoções, lidar com frustrações e desenvolver segurança interna. A torre de barro que cai, a tinta que escorre, o desenho que não sai como o esperado — tudo isso ensina, com delicadeza, que errar faz parte, que tentar de novo é possível.


A neurociência hoje confirma o que educadores sensíveis sempre souberam: experiências sensoriais ricas ativam várias áreas do cérebro ao mesmo tempo. Movimento, emoção, pensamento e imaginação caminham juntos. Brincar com terra e tinta envolve o corpo, acalma o sistema nervoso e fortalece a atenção. É um tipo de aprendizado que não acelera — acolhe. Não exige respostas rápidas — permite presença.

As telas, quando em excesso, tendem a fazer o contrário: agitam, fragmentam, afastam o corpo da experiência.


A Base Nacional Comum Curricular reconhece o brincar como um direito da criança. Brincar com o corpo, com materiais, com cores e com a natureza não é um “extra” no planejamento — é essencial. Os campos de experiência da Educação Infantil falam de corpo, gestos, traços, sons, espaços e relações. Tudo isso vive intensamente quando a criança pode se sujar, explorar e criar livremente.


Menos controle, mais confiança

Brincar com terra e tinta também convida o adulto a um exercício difícil e necessário: confiar. Confiar que a criança sabe o que está fazendo. Confiar que a bagunça tem sentido. Confiar que aprender nem sempre é limpo, rápido ou silencioso.

Sim, dá trabalho limpar depois. Mas o que se constrói durante a brincadeira fica para a vida inteira.


Não se trata de excluir a tecnologia, mas de colocar cada coisa em seu lugar. Tablets podem ser ferramentas. Terra e tinta são experiências fundadoras.

Sempre que possível, ofereça:


  • tempo sem pressa

  • materiais simples

  • espaço para explorar

  • liberdade para criar

E, principalmente, um olhar que diga: “eu vejo você, eu confio em você”.


Quando uma criança brinca com terra e tinta, ela não está apenas se divertindo. Ela está construindo seu cérebro, organizando suas emoções e descobrindo quem é. Às vezes, o maior gesto educativo que podemos fazer é simples: guardar o tablet, arregaçar as mangas e deixar a infância acontecer.

 
 
 

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